SNN Entre Linhas – Annabelle 2: A Criação do Mal ou “desculpem o primeiro filme, eu estava doidão”

Para começar, eu tenho que explicar que quando me assusto eu costumo xingar, não dou gritinho, não pulo, mas não consigo controlar o @#$%@ que sai, mesmo baixinho.

Agora, imaginem eu vendo um filme de terror, numa sala 4D com cadeira sacudindo, luzes piscando e uma soprada de ar que vinha do encosto da cadeira diretamente na minha orelha, dando aquela impressão de que o cão estava fungando no meu pescoço, pois é…. Tenho certeza que nem nos piores jogos do Fluminense (e eles realmente aConteCeram), eu xinguei tanto.

Eu fui ver Annabelle 2 esperando que fosse melhor que o primeiro, mas o problema é que o espaço que existe entre ser melhor que o primeiro e ser efetivamente bom é quilométrico, logo fui sem muita expectativa, esperando um retcon mediano para tentar salvar o personagem.

Como eu comentei no começo, eu assisti em 4D e acabou que eu tive uma experiência diferente da que a maioria dos espectadores terá, logo é meio difícil separar tudo que é mérito do filme de tudo que veio com os sacolejos e a ambientação, mas mesmo tentando levar isso em conta, o filme me surpreendeu de verdade, não será o grande novo clássico do terror, mas é divertido e faz os coleguinhas que estão na sua fileira rir de nervoso e, acreditem, isso é um bom sinal em um filme de terror.

Annabelle 2 traz um roteiro bem mais próximo de Invocação do Mal do que do seu antecessor e mesmo não se aprofundando tanto nas histórias dos personagens, eles são bem mais interessantes do que o casalzinho “americano padrão” do primeiro filme. É fato que: criancinhas possuídas sempre vão ganhar de um casal gringo água com açúcar.

Com relação aos personagens, as atrizes mirins carregam quase todo o peso do filme nas costas, com atuações que mostram uma boa sintonia com o gênero, já os adultos, simplesmente não comprometem.

O filme é um pouco longo, não ao ponto de te deixar entediado, mas ao ponto de pensar: “Cacete, mata logo todo mundo, não aguento mais levar susto!”, meio que um passeio de trem fantasma de uma hora e quarenta.

Falando em sustos, acredito que em matéria de terror, o diretor David Sandberg conseguiu finalmente achar o equilíbrio entre roteiro e jumpscare que faltou no seu filme anterior, Lights Out ou no Brasil, “Quando As Luzes Se Apagam”, que apesar de ter um monstro assustador e bons sustos, como longa, daria um ótimo curta (e deu, aconselho que assistam, sozinhos, na cama, no escuro. Muahahaha!).

Além da ligação óbvia com Invocação do Mal, o filme possui algumas referências tanto sobre o casal Warren, como também sobre o futuro projeto relacionado a esse universo, o esperado The Nun (ou “A Freira” se as traduções dos títulos no Brasil não fossem imprevisíveis).

Essas conexões entre os filmes me dão esperança da existência de um universo compartilhado com todos os filmes de terror do James Wan, o verdadeiro Monstroverso que você respeita.

Pensem só, o casal Warren tenta ajudar uma criança que é mantida em coma pela influência sinistra de seus bonecos Annabelle e Billy, mas para isso eles tem que passar pelas armadilhas submarinas do Jigsaw com a ajuda do Aquaman e com a Rose Byrne em algum lugar, porque eu gosto da Rose Byrne. Isso seria praticamente “James Wan: Guerra infinita”.

Annabelle 2 não é exatamente o retcon que eu estava esperando. Ele consegue a incrível façanha de harmonizar sua história com o que já sabemos e acrescentar elementos interessantes. Vale a pena assistir como uma diversão sem compromisso e, se você tiver condições de assistir em 4D sem ter que vender um rim ou comprar uma passagem aérea, também acho que vale essa experiência.

Questões espirituais que podem salvar a sua alma:

– Seria melhor Wanverse ou Conjureverse?

– Quanto você tem que odiar o seu filho para comprar uma boneca com cara de demônio?

– Qual o tamanho da garotice da pessoa que não fica para a cena pós-créditos? (não fui eu não… Foi um amigo meu que vocês não conhecem, juro…)