A Visão que Nos Cega

Um filme que me mostrou que precisamos um dos outros, independente de raça, gênero ou religião, porém ficamos presos a pré-julgamentos que nos afastam de fazer essa conexão com o verdadeiro eu de cada um nós.  “Dentro de nós existe algo que não tem nome, esse algo é o que nós somos”.

Ensaio Sobre a Cegueira” (2008) é um filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles (de Cidade de Deus) e baseado no livro de mesmo nome de José Saramago. A trama começa quando uma cidade é tomada por uma epidemia que deixa todos os habitantes momentaneamente cegos, porém não uma cegueira em que se vê tudo escuro, como descrito pelos deficientes visuais, e sim uma cegueira branca, explicada no filme como: “ mergulhar em um mar de leite”.

O filme conta com uma mistura de atores (brasileiros, americanos e japoneses) que interpretam personagens que não possuem nome (o doutor, a dona de casa, o empresário), fazendo com que fique mais fácil a nossa identificação com cada um, além de não ter uma localização precisa de onde se passa a história.

Os primeiros contaminados foram colocados pelas autoridades em um hospital psiquiátrico abandonado como forma de quarentena, e ali passam a maior parte do filme. Durante o convívio na quarentena, personagens são desenvolvidos como consequência dos conflitos causados pela briga por recursos, a sujeira que toma conta do ambiente, por conta de não ligarem mais para a higiene, e os momentos que a vida se ausenta são mostrados para nós de forma que choca e impressiona, resultado do excelente trabalho de direção e montagem.

Transparece o esforço do diretor e da equipe de fotografia do filme para fazer com que nós nos sentíssemos no lugar dos personagens ali retratados, que faz de “Ensaio sobre a cegueira” um ótimo filme.

9 nozes

Por Rafael Motta: que odeia filmes que explicam o final com narração em off, por isso, tirou uma noz.