“Isto fica feliz em ser útil.”

Por que a humanidade procura viver para sempre? Porque viver mais, prolongar a existência? Para quê ou para quem estamos deixando a nossa marca?

Os avanços da medicina, as cirurgias estéticas, os produtos “de beleza”, as academias, os livros, as músicas, esculturas, pinturas, a internet, por que procuramos tudo que é possível para nos eternizar?

Até hoje não entendo o motivo da nossa existência. De repente, ainda precisarei de muitos anos para entender. Talvez por isso, a humanidade queira aumentar o tempo de nossa existência, para buscar o sentido da vida.

E enquanto nós, pobres seres, desejamos viver para sempre, Andrew deseja apenas viver.

No filme “Homem Bicentenário”, estrelado pelo brilhante Robin Williams, e dirigido por Chris Columbus (conhecido pelos primeiros filmes da sagas “Esqueceram de Mim” e “Harry Potter”), um robô comprado por uma família começa a desenvolver um raciocínio muito semelhante ao de um ser humano, fruto das improbabilidades lógicas desenvolvidas por seu cérebro positrônico.

Dotado de conhecimento fornecido por seu dono, Andrew começa a entender a natureza humana, passando, então, a almejá-la.

O filme passa por alguns “pecados”, considerando que, logo após anunciar as três regras da robótica, criadas pelo escritor que gerou o conto sobre o qual o filme é baseado, o Dr. Isaac Asimov, o personagem principal do filme faz exatamente o contrário do que as leis determinam.

Fora esse tropeço inicial, o filme flui com uma certa lógica, durante várias gerações, e Andrew percebe, através das pessoas com quem convive, os meandros da humanidade, terminando por perceber a nossa natureza de uma forma muito melhor do que nós mesmos.

É um filme excelente, pois tem a atuação do mágico Robin Williams, que dá vida ao robô, mesmo antes deste ser capaz de expressar emoções em suas expressões corporais. E tem todos os elementos-chave de um drama típico da Sessão da Tarde: romance, aventura, ficção…

E nos faz pensar na nossa própria essência, o que completa essa miscelânea contida num longa de um pouco mais de duas horas, que não são sentidas. Só não pode ser considerado, ainda, um clássico, pois é de 1999.

Vale muito a pena ver esta obra, nem que seja apenas para relembrar o brilhantismo do Sr. Williams, ou para pensar no motivo da nossa ânsia de viver.

8 nozes

Por Marcos Moreira: que acha que, se passar dos 60, já vai estar fazendo hora extra nesta existência.