Noz, robôs

Crescer nos anos 80 e 90 me fez ver uma revolução tecnológica sem precedentes, tanto em relação a qualidade quanto em relação a velocidade das mudanças.

Quando eu era bem criancinha, até cerca dos 16 anos de idade, tinha um computador enorme, quase do tamanho de uma mesa, ao lado da minha cama, e com ele, tinha acesso às informações do mundo através de um meio revolucionário, a internet, que eu acessava através de um modem e da linha telefônica da minha casa (todo mundo que já fez isso lembra do barulho irritante do modem completando a conexão).

Com a passagem do tempo, o tamanho dos computadores foi diminuindo, e o poder de processamento deles foi aumentando muito, criando-se então “inteligências artificiais”, capazes de substituir uma pessoa em diversas funções da vida cotidiana.

Mas e se um computador fosse criado “à imagem e semelhança” dos seres humanos, para substituí-lo em funções perigosas ou insalubres? Essa possibilidade geraria riscos, porque uma falha de processamento poderia colocar em cheque a nossa segurança, quiçá a nossa existência.

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A partir dessa proposição, Isaac Asimov, no excelente livro “Eu, Robô”, criou o “cérebro positrônico”, um processador engenhado de forma mecânica, mas que é capaz de reproduzir o raciocínio humano, sem as interferências geradas pelas emoções.

Também por causa dessa situação, Isaac Asimov desenvolveu as três leis da robótica:

“1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.”

“2 – Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.”

“3 – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.”

“Manual de Robótica, 56ª Edição, 2058 A.D.”

O livro mostra as histórias contadas pela Dra. Susan Calvin, funcionária da U.S. Robôs e Homens Mecânicos S.A., mais especificamente uma “robopsicóloga”, ciência cuja função é entender e explicar o intrincado funcionamento do cérebro positrônico instalado nos robôs construídos por aquela empresa, para explicar suas atitudes.

As histórias se passam quase todas no espaço, uma vez que, na trama, devido ao conflito entre os movimentos pró e contra os robôs, fora sancionada uma lei proibindo que os robôs permanecessem na Terra, o que fez com que a U.S. Robôs passasse a exercer suas atividades para a melhoria da exploração do espaço.

As passagens contadas pela Dra. Calvin mostram que os robôs, sempre interpretando as três leis da robótica, criam situações inusitadas para os cientistas, de forma que é necessária a atuação dela para que se esclareça o motivo de tais impulsos ou atitudes dos robôs.

O livro, de certa forma, inverte os papéis dos personagens, mostrando que os robôs estão, ao longo da leitura, se tornando mais humanizados, e os humanos, mais robotizados. Também inverte a relação entre os humanos e os robôs, pois de início se percebe que os humanos dominam os robôs, mas ao longo da trama os robôs começam a dominar os humanos.

É uma excelente explicação do ponto de vista do Dr. Asimov sobre a relação da humanidade com a tecnologia, que se estende por outros livros. Mas estes são assuntos para outros posts.

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Já o filme

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Nossa, o que falar dessa pérola?…

Esse filme de 2004, que tenta expor o universo asimoviano na telona (mas falha miseravelmente), tem a atuação forçada a níveis “overacting” de Will Smith, que ficou marcado na minha mente pelo melhor filme de autoajuda de todos os tempos, “À Procura da Felicidade”, e da perdida, apesar de linda, Bridget Moynahan, de “A Soma de Todos os Medos” e tantos outros filmes. Tem também a participação passageira do ator James Cromwell, que pra mim é o pai do Jack Bauer, de 24 Horas, e de Alan Tudyk (de Serenity e Suburgatory), que empresta sua voz ao robô Sonny, um dos principais personagens do longa.

Nesta trama, o detetive Spooner (Smith) é chamado para investigar a morte do Dr. Alfred Lanning (Cromwell), um dos mais importantes funcionários da U.S. Robôs, sendo que tal crime teria sido cometido por um robô, o que já de início fere uma das leis da robótica.

Durante o correr do filme, Spooner recebe a ajuda da Dra. Calvin (Moynahan), e de Sonny, e vai sendo descoberta uma história de conspiração iniciada pelos robôs, que querem dominar a humanidade.

O roteiro do filme fere todas as leis da robótica, burla a lei que proíbe a existência de robôs na Terra, e faz de tudo para mostrar que o personagem de Will Smith é um super-herói, que tem a capacidade de, praticamente sozinho, destruir a maior empresa produtora de robôs do planeta.

Enfim, até pra não desvalorizar demais, vou ficar por aqui.

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É por causa de filmes como esse que tenho certeza que a humanidade já está vacinada para esse tipo de problema. Será que a gente não vai colocar um botão de desligamento forçado numa máquina mais forte e com velocidade de processamento de informações maior do que a nossa? Só pode ser coisa de diretor de cinema sensacionalista…

Bem, quero viver muito para poder ver os robôs humanoides começarem a surgir por aí, para mostrar para nós como eles podem nos ajudar, ao invés de nos dominar.

Por Marcos Moreira: que já foi o top de linha de sua geração, mas hoje em dia…