O Amor é o Melhor Remédio

Meus pais são médicos dedicados, que sempre me mostraram que o melhor meio para tratar o paciente é dar-lhe carinho e atenção. Tratar o paciente como pessoa, não como mero objeto de estudo.

Esse tipo de tratamento, que não se vê muito nos hospitais aqui do nosso país, infelizmente, já provocou algumas confusões, mas eles sempre souberam contornar esses enganos com profissionalismo e maturidade, o que fez com que, durante muito tempo, eu considerasse os meus pais como os melhores médicos do mundo.

Mas com certeza, esse método que eles adotam foi simbolizado por um outro médico, um pouco mais famoso, que mostrou que o amor é o melhor remédio, o Dr. Hunter “Patch” Adams.

O filme de 1998, baseado numa história real, conta a história de um dos pioneiros neste método de tratamento dos pacientes, que usa as técnicas já tão estudadas e cultuadas pelos acadêmicos, somadas a métodos considerados controvertidos, à época, como a aproximação da relação entre médico e paciente, colocando-os no mesmo nível, sem o desprezo ao objeto de estudos, nem a deificação ao detentor do conhecimento, além da atenção ao bem estar emocional do paciente, tanto quanto ao físico.

Esta abordagem causou divergências e discussões acaloradas, que fazem com que a trama do filme se desenvolva como uma disputa, que chega quase às vias judiciais. Tudo somado a muito humor, paixão e, claro, muitas tristezas.

O filme tem a brilhante atuação do já muito saudoso Robin Williams no papel deste médico que ousou ser diferente, visando não só o conhecimento e o reconhecimento, mas também a humanização do tratamento médico.

Este filme também faz com que a gente volte a olhar para a nossa própria vida, para reavaliar o motivo de estarmos onde estamos, ensinando que não podemos ver a vida apenas por seus percalços. Temos que ver além do óbvio, do trivial. Precisamos ser surpreendentes.

8,5 nozes

E é por isso que papai e mamãe nunca desistiram do meu irmão nem de mim, porque eles sabem que nós somos capazes de superar suas expectativas, sermos melhores, diferentes, pontos fora da curva. Só precisamos ser lembrados disso de vez em quando.

Por Marcos Moreira: Que faz de tudo para ser ele mesmo, mas não ser sempre o mesmo.