“O Gato Bebe Leite, O Rato Come Queijo… E Eu Sou Palhaço!”

O circo sempre foi um ambiente meio mágico para mim.

Quando eu era bem criancinha, meus pais me levaram algumas vezes ao circo, naquela época em que ele já não tinha aquele glamour, mas ainda tinha valor como meio de lazer, ao menos aqui na cidade grande. Infelizmente não faço ideia de como é a chegada do circo para os moradores de uma cidade pequena. Imagino que seja um agito, uma chacoalhada no “status quo” do local.

Pelo menos é isso que é mostrado no filme “O Palhaço”.

Dirigido, co-escrito e estrelado por Selton Mello, este longa conta a história do Circo Esperança, que passa por diversas cidades, apresentando seu show, que leva muita alegria às pessoas, mas é administrado por um palhaço triste, Benjamin (Selton Mello), o Palhaço Pangaré, que passa por um conflito. Ele deseja seguir outro rumo em sua vida, ao invés de continuar o trabalho do pai, Valdemar (Paulo José), o Palhaço Puro Sangue, que também o auxilia na gerência do circo. Com o apoio e os conselhos do pai, Benjamin vai encontrar seu caminho.

O filme é simples, muito bem dirigido, e mostra não só a vida do circo e suas dificuldades, mas também os conflitos da mente de Benjamin, com seu ponto de vista pequeno do mundo, mas muito puro.

Há a participação de outros humoristas no decorrer da história, o que serve para abrilhantar mais este respeitável espetáculo, que nos mostra que mesmo os menores atos podem mudar a vida.

É um filme muito bonito, que todo brasileiro que adora detestar o cinema nacional deve ver, antes de apontar suas críticas afiadas para mais esta obra de qualidade.

9 nozes

Tenho muitas saudades daquele tempo em que a gente se dava o prazer da diversão simples, sem muitos efeitos especiais ou ”som surround”. Um tempo em que um bobo em roupas coloridas e pintura no rosto nos fazia dobrar de rir só porque tropeçou no nada e se estatelou no chão.

Ainda sinto o coração bater um pouco mais acelerado quando entro debaixo de uma lona, mas hoje em dia já sei que o espetáculo vai ser de outro tipo, como quando ia ao Teatro de Lona, que também já acabou, ou vou ao Circo Voador.

Por Marcos Moreira: que sempre acordava às 5:60 para ver o show do palhaço, mas nunca deu uma bitoca no seu nariz.